O Brasil poderá importar entre 9,5 milhões e 10 milhões de toneladas de trigo em 2027, diante da queda da produção nacional e das preocupações com a qualidade do cereal colhido. A estimativa foi apresentada por Tito Marquetti Martinho, diretor sênior de Originação e Trading de Trigo da Bunge Alimentos, durante o Congresso Internacional da Indústria do Trigo, promovido pela Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo) e antecipada pela CNN Brasil.
Segundo o executivo, a redução da oferta doméstica deve aumentar a dependência do mercado externo e pressionar a capacidade portuária brasileira. A Argentina deve continuar como principal fornecedora do país, enquanto o conflito na região do Mar Negro permanece entre os fatores de incerteza para o mercado internacional.
A produção brasileira de trigo está estimada em 5,12 milhões de toneladas, queda de 37% em relação ao período de referência apresentado durante o evento. O volume deve atender a cerca de 36% do consumo nacional, ampliando a necessidade de importações.
Além da redução da produção, a disponibilidade de trigo de melhor qualidade preocupa a indústria moageira. De acordo com o especialista em mercado de trigo Elcio Bento, a estimativa para São Paulo é de apenas 70 mil a 80 mil toneladas de trigo Tipo 1. No Paraná, onde cerca de 70% da colheita havia sido realizada no momento da análise, o volume dessa classificação foi estimado entre 500 mil e 600 mil toneladas.
