A inflação dos serviços subjacentes, que excluem itens mais voláteis, como passagens aéreas, acumula alta de 5,5% em 12 meses, mesmo com a desaceleração da economia brasileira. A avaliação é de Claudia Moreno, economista do C6 Bank, que considera a resistência dos preços um dos principais obstáculos para o Banco Central trazer a inflação de volta à meta de 3%.
Em análise divulgada nesta 6ª feira (23.out.2026), depois da publicação do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), Moreno afirmou que a inflação continua pressionada pelo mercado de trabalho aquecido. O indicador subiu 0,32% em outubro, abaixo dos 0,70% de setembro, mas o acumulado em 12 meses avançou de 4,47% para 4,62%, acima do teto de tolerância da meta, de 4,5%.
O resultado mensal surpreendeu positivamente o C6 Bank, que projetava alta de 0,40%, e ficou abaixo da expectativa de mercado de 0,44% informada pela instituição. A principal surpresa veio das passagens aéreas, que recuaram 9,24% e contribuíram para conter uma alta maior do índice.
O alívio, no entanto, não foi generalizado. A alimentação no domicílio avançou 1,01%, acima dos 0,38% de setembro. Segundo Moreno, as fortes chuvas afetaram a produção de determinados alimentos e contribuíram para aumentos superiores aos habituais para esta época do ano.
A energia elétrica residencial, por outro lado, caiu 0,89%, beneficiada pela entrada em vigor da bandeira tarifária verde, sem cobrança adicional nas contas de luz.
