O Império Romano construiu e integrou uma rede viária terrestre de 299.171 quilômetros cobrindo mais de 5,27 milhões de quilômetros quadrados na Europa, Norte da África e Oriente Médio.
Para garantir a circulação de carroças e veículos de tração animal, os engenheiros romanos mantiveram 90,57% das estradas com inclinações abaixo do limite de 16% de elevação - equivalente a 9,09 graus.
Na travessia dos Alpes, a inclinação média das vias foi mantida em 2,68 graus, valor inferior ao registrado em outras cadeias montanhosas da Antiguidade.
A constatação integra um estudo quantitativo de alta resolução espacial publicado na revista científica Nature Communications por pesquisadores da Universidade de Aarhus e instituições parceiras.
Infraestrutura e cortes na rocha nos Alpes
A manutenção de aclives suaves na região alpina exigiu intervenções físicas diretas na geografia. Enquanto nas formações dos Montes Cantábricos a inclinação média das vias atingia 4,98 graus (com máximas médias de 11,26 graus) e nos Pireneus alcançava 3,14 graus, os caminhos alpinos apresentaram limites mais baixos de subida.
Para viabilizar a passagem pelo relevo íngreme, os agrimensores (gromatici) utilizaram os vales longitudinais e passos naturais da região. Nos trechos onde a topografia era desfavorável, a infraestrutura incluiu a abertura de cortes em rocha viva, construção de muros de contenção, terraplenagem e a perfuração de túneis, como os registrados no setor do Vale de Aosta.
