Imagine um futuro em que você possa tirar férias do planeta Terra. Abandonar aquelas infindáveis discussões políticas e pegar voo expresso para Marte. Só que no meio do caminho, a milhões de quilômetros da Terra, uma tempestade solar ameaça acabar com seu sossego. Uma enorme quantidade de partículas energéticas começa a atravessar o espaço na direção da sua nave. Você não vê nada pela janela. Não há fumaça, explosão ou sequer um impacto audível. Mesmo assim, sua saúde pode estar em sério risco.
Esse é um dos grandes desafios das viagens espaciais de longa duração: como proteger os astronautas dessa ameaça invisível? Partículas menores que um átomo, mas que podem provocar enormes danos à saúde humana.
Aqui na Terra, temos duas grandes proteções: a atmosfera, que absorve boa parte da radiação, e o campo magnético terrestre, que desvia muitas das partículas carregadas vindas do espaço. Mas, quando nos afastamos da proteção natural do nosso planeta, essas partículas podem nos atingir diretamente e, em doses elevadas, podem provocar efeitos agudos, e aumentar o risco de câncer e outras doenças em longo prazo.
Existem dois tipos de radiação com os quais precisamos nos preocupar. Um deles são as partículas energéticas lançadas pelo Sol, especialmente durante grandes erupções e tempestades solares. Em determinadas circunstâncias, elas podem expor os astronautas a doses perigosas em um intervalo relativamente curto.
