O mercado brasileiro de crédito privado tem sido marcado por um número crescente de recuperações judiciais e extrajudiciais, envolvendo nomes de grande visibilidade como Braskem, Casas Bahia, Pão de Açúcar e Raízen.
Para Daniel Pegorini, fundador da Valora Investimentos, casa de crédito estruturado com mais de R$ 35 bilhões sob gestão, há um exagero na narrativa de crise generalizada.
“Eu acho que existe um pouco de exagero no que se fala de crise de crédito no mercado brasileiro”, afirmou Pegorini. Segundo ele, quando se somam todos os problemas de crédito verificados no país e se compara esse total ao estoque de renda fixa e crédito privado, o resultado representa cerca de 4% desse estoque, um percentual que, na sua avaliação, não justifica o alarmismo.
Em entrevista ao programa Café com o Investidor, parceria entre o NeoFeed e a CNN Brasil, Pegorini destacou que uma parcela significativa do impacto negativo observado nos fundos de crédito não decorre de perdas definitivas, mas sim do chamado Mark to Market (MTM), processo de marcação de papéis a mercado. “Toda vez que você tem resgate nos fundos e o gestor é obrigado a vender esses papéis para pagar resgate, o preço desses papéis cai”, explicou.
Esse movimento abre os spreads e reduz os preços dos ativos de crédito de forma generalizada, sem que isso represente, necessariamente, uma perda real e permanente para o investidor.
