Imagine três irmãos que herdam, cada um, um terço das quotas da holding que controla a empresa da família. Eles concordam que o patrimônio deve ser preservado, mas divergem sobre quase todo o resto, da política de distribuição de lucros à contratação de um executivo de mercado, passando pela proposta de compra que a empresa recebeu no ano anterior. Nas deliberações comuns, quaisquer dois formam maioria, o que transforma cada decisão em uma negociação de alianças e deixa o terceiro, a cada vez, na posição de vencido. Nas matérias que o contrato social submete a quórum qualificado, nem isso basta. Enquanto o pai era vivo, nada disso exigia regra, porque a palavra final era dele. Com a sua morte, a família descobre que o contrato social diz como votar, mas não diz como lidar com a divergência.
Herança e poder: como organizar o controle entre os herdeiros após a sucessão?
