Nos últimos anos, a infraestrutura de mobilidade e transporte se tornaram o verdadeiro motor do desenvolvimento econômico e social do Brasil. Do escoamento de safras à rotina diária de milhões de trabalhadores nos trens, metrôs e rodovias, o setor movimenta bilhões de reais em investimentos e estabelece contratos públicos de longa duração.
No entanto, essa mesma complexidade, que é marcada por uma intensa e contínua agenda e interface entre o setor privado e a administração pública por razões de Parcerias Público Privadas (PPPs), Licitações e Concessões, carrega um histórico de riscos sistêmicos de fraude e corrupção. Enfrentar esse gargalo não é apenas uma exigência moral ou regulatória, mas uma condição indispensável para a eficiência e para a atração de capitais de longo prazo.
Embora a aprovação da Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013) tenha representado um marco para a implementação de programas de compliance nas empresas, a prática demonstra que esforços isolados têm um alcance, por vezes, limitado. Quando uma única empresa adota controles rigorosos de integridade e outras do mercado operam sob regras desconhecidas ou não públicas, cria-se um dilema competitivo e injusto. É precisamente aqui que o debate setorial precisa avançar, uma vez que a integridade não pode ser encarada como uma vantagem individual, mas como um padrão mínimo e coletivo de todo o ecossistema de transporte e logística.
A solução para problemas sistêmicos exige respostas igualmente coletivas.
