A redução da abstenção no 2º turno, por si só, pode diminuir a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não seria suficiente para mudar o resultado da disputa presidencial. A conclusão é do relatório Macroeconomic Research do BTG Pactual, divulgado na 3ª feira (20.out.2026).
O petista precisaria levar às urnas de 10 milhões a 25 milhões de eleitores que se abstiveram no 1º turno para alcançar o empate, segundo o estudo. Ao todo, 33.469.244 (21,08%) não foram às urnas em 4 de outubro.
A mudança exigiria uma queda de 3 a 13 pontos percentuais na abstenção nacional, movimento inédito na série histórica brasileira. A taxa aumentou em todos os 2º turnos das eleições presidenciais realizadas desde 2002, com exceção de 2022, quando houve uma queda muito tímida de um turno para o outro.
Dois fatores ajudam a explicar esse comportamento: a desmotivação dos eleitores em Estados onde os governadores foram eleitos no 1º turno e a dificuldade de transferir os votos de candidatos derrotados.
PERFIL DOS ELEITORES
Na simulação do BTG Pactual, 5,5 milhões de eleitores que não votaram no 1º turno compareceriam às urnas no 2º. Ao mesmo tempo, outros 5 milhões, que participaram da primeira votação, deixariam de votar. O saldo positivo seria de 500 mil eleitores, próximo ao registrado em 2022. Com isso, a abstenção cairia de 21,08% para 20,77%, uma redução de 0,31 ponto percentual.
