São Paulo, “Quem quer trabalhar mais, vai trabalhar mais. Quem quer trabalhar menos, vai ter o direito de priorizar outras coisas na sua vida”. A fala é do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), em uma coletiva de imprensa, em Brasília, no dia 6 de outubro deste ano.
Na época, o Senado Federal se preparava para discutir o fim da escala de trabalho 6×1, após meses de pressão popular e do avanço das negociações do governo Lula (PT) com o Congresso. Flávio se dizia contrário à proposta e sugeria um modelo alternativo, com o funcionário negociando a jornada direto com o empregador. O salário seria pago pelas horas trabalhadas.
Oito dias depois, em 14 de outubro, o candidato à Presidência foi um dos 75 senadores que aprovaram o fim da 6×1. Em entrevistas, no entanto, Flávio seguiu defendendo outra proposta. “Eu sempre defendi mais liberdade, para que os trabalhadores pudessem, inclusive, montar a sua própria jornada de trabalho”, afirmou ele, em sabatina à TV Globo, dois dias após a votação.
O modelo alternativo defendido por Flávio já foi apresentado por seu grupo político ao Senado: é a chamada Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Horas Trabalhadas, que aguarda análise da Casa. A ideia se inspira nas legislações de países como os Estados Unidos.
O líder do PL na Câmara, deputado federal Sóstenes Cavalcante, disse que a sigla quer discutir a PEC no Senado no próximo ano.
