Entre rajadas de fuzil disparadas para o alto e o eco dos graves das caixas de som, uma cena recorrente tem chamado a atenção de investigadores e moradores de comunidades do Rio de Janeiro: a “chuva de dinheiro”. Apelidada pejorativamente de ritual do “Silvio Santos do CV”, a prática consiste em integrantes do Comando Vermelho (CV) arremessarem maços de notas sobre a multidão reunida em bailes funk controlados pela facção.
Imagens obtidas com exclusividade pela coluna Na Mira mostram o momento exato de um desses episódios, realizado na localidade da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense. Nas gravações, divulgadas originalmente pelo traficante Raphael Linhares, o público, composto em grande parte por moradores locais e crianças, se aglomera no chão para recolher as cédulas lançadas pelos criminosos.
O gesto performático longe de ser uma ação assistencialista, trata-se de um método articulado de controle social e demonstração de força econômica. A ostentação serve tanto como propaganda de poder perante facções rivais quanto como uma estratégia deliberada para aliciar moradores vulneráveis e reforçar o domínio territorial através da dependência.
Bailes históricos
Por trás do espetáculo de cédulas voadoras e bebidas, opera uma complexa engrenagem financeira.
