O público mais atento precisou de alguns dias para entender o que aconteceu na França nesta última semana. A sucessão de cenas tão incompatíveis com um protesto estudantil tornou quase impossível a interpretação dos acontecimentos.
Turbas mascaradas depredaram símbolos nacionais, arrombaram e saquearam estabelecimentos comerciais (de grifes internacionais e de pequenos negócios, como mercados e cabeleireiros); destruíram calçadas, fontes, pontos de ônibus e carros. A antiga Prefeitura de Limoges, um prédio histórico que sobreviveu às duas guerras mundiais, ardeu por horas.
Os “estudantes em manifestação em prol de melhores condições nas escolas”, noticiados pela grande mídia, empunharam bandeiras da Argélia, outras com símbolos comunistas, algumas poucas francesas e muitas palestinas. Neste momento, estão sendo apagadas pichações com o slogan Free Palestine de vários monumentos em cidades como Paris, Marselha e Lyon.
Com a guerra entre a Ucrânia e a Rússia acontecendo logo ali, na vizinhança, e impondo um alto preço aos franceses, decepciona, mas não surpreende, o fato de não termos visto bandeiras levantadas sobre esse tema.
Protesto escolar ou demonstração islamista?
A dificuldade de compreender os acontecimentos foi resultado não apenas da diversidade de cenas de violência, mas também da maneira como os eventos foram apresentados pela grande imprensa. Em muitos veículos, havia uma desconexão absoluta entre o que as imagens mostravam e o que os textos descreviam.
