O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a proposta de Flávio Bolsonaro de suspender o pagamento de dívidas por seis meses para pessoas físicas e por um ano para empresas provocaria um “calote geral” no sistema de crédito brasileiro. Em entrevista ao programa Agora Metrópoles, do qual este colunista é comentarista, o ministro estimou em R$ 3 trilhões o volume de pagamentos que deixariam de chegar às instituições financeiras nesses períodos. “É muito grave isso que está sendo proposto e é de impossível implementação”, disse.
A crítica de Durigan vai além do custo de uma promessa de campanha. Na avaliação do ministro, interromper os recebimentos dos bancos, fundos e fintechs comprometeria a capacidade dessas instituições de oferecer novos financiamentos e até de honrar compromissos com investidores. A consequência, segundo ele, chegaria a quem precisa financiar uma casa ou obter recursos para a produção rural. “Não vai ter crédito para moradia, não vai ter crédito para o agronegócio financiar a safra”, afirmou.
Durigan também acusou Flávio de copiar iniciativas do governo Lula e acrescentar promessas sem explicar como seriam executadas. Citou a renegociação de dívidas, a proposta apresentada pelo candidato como “Vira Pix” e a defesa da retomada do Perse, programa de benefícios ao setor de eventos. Ao tratar da devolução de impostos às famílias de baixa renda, trouxe espontaneamente à conversa o cashback da reforma tributária.
