O som característico do “cri-cri” entoado pelos grilos durante a noite é uma das assinaturas sonoras mais conhecidas da natureza, utilizado historicamente pelos machos para atrair as fêmeas para o acasalamento.
No entanto, uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) revelou que, ao longo de milhões de anos de evolução, diversas linhagens desses insetos perderam a capacidade de emitir ou até mesmo de ouvir sons.
O estudo, publicado no periódico científico Journal of Systematics and Evolution, analisou a trajetória evolutiva de 107 espécies de grilos arborícolas da família Oecanthidae.
Conduzida pelo pesquisador Lucas Denadai de Campos, a investigação aponta que a pressão provocada por predadores e as constantes mudanças de habitat forçaram esses insetos a abandonarem a comunicação sonora tradicional, dando origem a variações surpreendentes na natureza, como os “ouvintes silenciosos” e os “cantores surdos”.
O mistério das 24 pernas: como o ancestral dos insetos trocou dezenas de patas por apenas seis?
Com apenas 16 cm, ele tem pegada poderosa e consegue caçar presas que parecem grandes demais - conheça o pitiguari, o pequeno predador brasileiro
Entenda a mecânica biológica usada pelos insetos para produzir o som
Para compreender como o silêncio se instalou, os cientistas mapearam as estruturas físicas envolvidas na comunicação acústica dos grilos.
