A advogada Maria Cláudia Bucchianeri, chefe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), recebeu R$ 33 milhões no ano passado de um fundo fechado de cotista único por um serviço que ela não detalha qual foi. Especializada em direito eleitoral, ela foi ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre 2021 e 2023 por indicação do então presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio. Questionada pela coluna disse que a nota “deriva de serviços advocatícios regularmente prestados”.
O pagamento à banca Bucchianeri Advocacia foi feito pelo V3 Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Multicarteira, que é um fundo fechado de cotista único, classificado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como sendo de “investidor não residente”. O beneficiário do fundo - logo, quem pagou Maria Cláudia - é protegido pelas regras do mercado financeiro brasileiro.
O fundo é gerido pela Vision Brazil, administrado pela QI Corretora de Títulos e Valores Mobiliários (antiga Singulare CTVM) e pagou R$ 33 milhões ao escritório de Maria Cláudia somente em 2025, em três notas. Uma delas, sozinha, é de mais de R$ 29,4 milhões.
Em todas a descrição dos serviços diz somente “honorários advocatícios”, ainda a advogada de Flávio Bolsonaro não seja citada como prestadora de serviço jurídico no regulamento do fundo ou em qualquer outro documento público.
