Quem estuda para concurso deveria prestar atenção na última semana.
Na segunda-feira (19/10), Milei lançou um plano para eliminar mais 20 mil postos públicos na Argentina, somados aos mais de 77 mil já cortados desde dezembro de 2023. No mesmo dia, no programa Pânico, Daniella Marques, coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro, defendeu substituir por IA servidores que se aposentarem, em vez de abrir concursos. Na quarta, o Correio Braziliense revelou que Flávio já teria mais de 200 decretos prontos.
Milei dá o modelo, Daniella dá o método, Flávio prepara a caneta. Coincidência?
O modelo
Depois de visitar Milei em junho, Flávio escreveu: “Se na Argentina teve motosserra, no Brasil terá tesouraço”. Adotou até o símbolo, um broche de tesoura. Daniella disse a empresários que o governo argentino será usado como inspiração. Lá, quem aderir ao plano tem o cargo extinto e fica oito anos fora do setor público. O sindicato dos estatais chama o programa de “demissão extorsiva”.
O método
Se Milei corta, Daniella propõe não repor: vagas abertas por aposentadoria passariam aos poucos para sistemas de IA. Ela não disse quantas vagas, quais carreiras nem como os serviços seguiriam funcionando. É a motosserra em câmera lenta.
A caneta
Aqui as peças se encaixam. Pela Constituição, o presidente só pode extinguir por decreto cargos que estejam vagos.
