O grande problema que o brasileiro está sentindo nessas eleições é a insatisfação com o momento institucional do Brasil. Todos percebem que nós não temos aquilo que o constituinte desejou: dois Poderes políticos e um Poder técnico-jurídico.
Desde que o Poder Executivo intensificou a indicação de figuras com acentuado histórico político para o Supremo Tribunal Federal, a Excelsa Corte deixou de exercer exclusivamente a função inata à qual fora destinada pela Constituição Federal, a qual fora, a de um poder técnico-jurídico, passando a atuar, em não raras situações, com viés político.
De fato, atualmente, na Suprema Corte apenas um dos dez ministros foi magistrado de carreira.
Os demais exerceram cargos políticos antes de assumirem suas cadeiras na Excelsa Corte, a ela conferindo - contrariamente à mens legis constitucional - uma conotação política.
No auge do governo militar, mais precisamente no ano de 1969 - ano em que Carlos Marighella foi morto - tive um pedido de confisco de bens e abertura de inquérito policial militar contra mim.
Em 1971, por 5 votos a 3, foi julgada improcedente, pelo Supremo Tribunal Federal, a ação proposta contra meus clientes, a qual originara o pedido feito contra mim pelo então ministro Delfim Netto, por ter recebido deles os honorários para pleitear em juízo, o que demonstra que eles tinham direito.
Menciono esse episódio para lembrar que até o governo militar sempre indicou para compor o STF cidadãos vinculados ao Direito.
