Muitos povos da África ao sul do Saara não registravam sua história por meio da escrita antes do contato com os europeus, mas isso não significa que seja impossível reconstruir esse passado. Transformações no som e no sentido das palavras em idiomas que descendem da mesma língua-mãe, por exemplo, podem funcionar como um roteiro dessa história, conectando as transformações linguísticas a mudanças na cultura, na organização social e até nas condições ambientais enfrentadas por tais grupos.
Pistas fundamentais sobre o passado e o presente desses povos também podem vir do DNA - tanto o das populações que ainda ocupam o continente africano quanto o dos descendentes delas no Brasil. Linguística histórica e genômica, ao lado de trabalhos pioneiros sobre a história da produção do conhecimento científico pelos próprios africanos, fazem parte de uma série de abordagens por meio das quais pesquisadores brasileiros estão traçando um quadro mais complexo e aprofundado da África.
