Em menos de uma vida, cerca de seis décadas e meia, as ondas de calor evoluíram de episódios esporádicos e isolados para eventos climáticos massivos e interligados, capazes de cobrir vastas áreas do planeta por meses ou até anos consecutivos.
A maior onda de calor da década de 1960 atingiu cerca de 6% do planeta enquanto se deslocava, durante 46 dias, sobre o Oceano Atlântico, partes da América Latina e da África Ocidental.
A maior onda de calor desta década percorreu quase 85% do globo ao longo de seus 367 dias de duração, alcançando as latitudes polares e afetando praticamente todos os seres humanos na Terra.
Continuar chamando fenômenos tão abrangentes de “ondas de calor” seria como chamar uma monção de chuva passageira. Para compreender a nova realidade dessas imensas extensões de calor, a Reuters consultou duas dezenas de meteorologistas e pesquisadores do clima e analisou as temperaturas de cada hora de cada dia desde 1960 em mais de um milhão de células de uma grade que cobre todo o planeta. A partir desses resultados, foi desenvolvido um novo conceito: a “tempestade de calor”.
Em termos simples, tempestades de calor são ondas de calor de proporções gigantescas. A Reuters utiliza um critério conservador para definir uma onda de calor comum: cinco ou mais dias consecutivos de temperaturas anormalmente elevadas.
