Negue. Negue tudo o que possa prejudicá-lo. Negue até mesmo o que você acabou de dizer ou escreveu outro dia. Valha-se, para isso, de qualquer desculpa, seja ela convincente ou inverossímil, ou de nenhuma. E siga em frente, sem se deixar abater.
O que importa é alcançar o seu objetivo. Uma vez alcançado, o passado incômodo vira pó e as pessoas, salvo raras exceções, desistem de relembrá-lo.
Memória duradoura só existe em celulares e nas nuvens. Políticos sábios de antigamente não falavam nada de sério ao telefone; era só olho no olho.
Veja a tremenda confusão em que se meteu Flávio Bolsonaro, aquele que nada aprendeu e nada esqueceu. Na condição de candidato a presidente da República, é natural que seja gravado tudo o que diz ou disse. E ele costuma dizer coisas das quais se arrepende depois.
Na sabatina da TV Globo, ao ser interrogado sobre o projeto que apoia para acabar com a rastreabilidade das munições usadas por policiais, ele respondeu tratar-se de um mero “detalhezinho”.
Sem a marcação nas munições, grande parte dos homicídios não seria esclarecida. O da vereadora Marielle Franco talvez não fosse. Certamente não teria sido o da juíza Patrícia Acioli, assassinada em Niterói com 21 tiros.
