Uma onda de calor que durou 367 dias e alcançou quase 85% da superfície do planeta provocou impactos em diferentes regiões do mundo, de incêndios florestais nos Estados Unidos a mortes durante peregrinação religiosa na Arábia Saudita. Batizado de Vera, o fenômeno é o maior já identificado em uma investigação da Reuters, que aponta aumento expressivo na frequência e na extensão de eventos extremos de calor nas últimas décadas.
A análise reuniu dados de temperatura registrados a cada hora desde 1960 em mais de um milhão de áreas que cobrem o globo. A agência também consultou cerca de duas dezenas de meteorologistas e pesquisadores climáticos para investigar como as ondas de calor se transformaram em eventos capazes de atingir vastas regiões por meses ou até anos.
A partir desse levantamento, a Reuters propôs nova categoria para os fenômenos de maior extensão: as chamadas “tempestades de calor”. Na metodologia adotada pela investigação, uma onda de calor comum precisa durar pelo menos cinco dias consecutivos, com temperaturas anormalmente elevadas. Quando o evento alcança, em seu pico, pelo menos 1% da superfície do planeta, ele passa a ser classificado como uma tempestade de calor.
O levantamento identificou mudança significativa ao longo do tempo. Na década de 1960, havia média de cinco tempestades de calor ativas por ano. Nesta década, a média chegou a aproximadamente 102 anuais.
