As cidades que deram a Flávio Bolsonaro e Lula suas maiores votações proporcionais estão em extremos opostos do mapa. Mas a distância entre elas vai muito além da geografia e das urnas. Enquanto uma vive uma situação de pleno emprego, a outra depende fortemente do Bolsa Família.
Flávio obteve 87% dos votos válidos em Nova Pádua, município localizado na Serra Gaúcha. Lula ficou com 7%. Ali, menos de 50 dos 2,4 mil habitantes dependem do Bolsa Família. Segundo a prefeitura, nenhum deles nasceu na cidade. “A maior parte dos moradores trabalha para si mesmo ou para familiares”, explica Diego Bernardi, Secretário de Saúde e Assistência Social. “Quase todo mundo vive da agricultura, em propriedades pequenas.”
A uva, motor econômico do município, ocupa 70% das áreas destinadas às lavouras, com safra estimada em R$ 78 milhões em 2025, o que corresponde a mais da metade da riqueza do município. O valor equivale a R$ 32 mil por pessoa, e o PIB per capita (riqueza disponível por habitante) é de R$ R$ 4,1 mil por mês. “Não tenho vontade de me mudar”, diz William Menegat, 36 anos, que trabalha no negócio da família, a Pousada Del Miro, fundada no início da década de 1990. Menegat morou fora da cidade apenas em duas ocasiões: para estudar hotelaria em Caxias do Sul e fazer cursos de gastronomia na Itália. Seus ancestrais, e os da maioria dos moradores de Nova Pádua, eram italianos.
Muitos têm dupla cidadania, mas poucos querem migrar.
