Faz uma semana que não ando brilhante. Leia-se: chateada e desanimada. Ter dormido tarde no sábado, reunião de família no domingo (antes das eleições é maravilhoso) e ainda por cima ser uma segunda-feira, foi a combinação ideal para eu acordar querendo ver o sol pelas costas.
Especificamente nesses dias, além da gente, as coisas param de funcionar. Por exemplo, meu chuveiro. Tomei aquele banho quente com final gelado, porque dizem que faz bem (faz bem pra quem, meu Deus?). Ao desligar a água, uma goteira irritante começou a pingar. Eu torci tanto aquela torneira que ela saiu na minha mão. Bom, o jeito era fechar o registro. Fechei. Contrariando a lógica da engenharia, a goteira não parou. Ah, que se dane, umas gotinhas de água a Sabesp não vai nem perceber. O detalhe é que o boiler, aquele que aquece a água, não parava de ligar e desligar. Essa a Enel não ia deixar passar.
Antes tivesse sido só isso. Foi um festival: o pé do sofá quebrou, a luz da geladeira não acendeu e o rapaz do ar-condicionado, que veio dar uma olhada no aparelho que, advinha, não funcionou, disse que se tratava da maior tragédia que a Midea já viveu. Era mesmo caso pra sal grosso atrás da porta.
Tentei dar mais uma cochilada, mas, quando a gente não está bem, a cochilada leva vários nomes: prever coisas que vão dar errado na nossa vida sem nenhuma base científica, remoer pensamentos, lembrar de coisas horríveis que a gente falou pra uma amiga do ginásio… Resumindo: um inferno terreno.
