Há pelo menos uma geração o futebol brasileiro (e, por extensão, o sul-americano) convive com uma prática recorrente: torcedores do time da casa vão até o hotel onde a equipe adversária está concentrada e soltam rojões e fogos de artifício durante a madrugada, com o objetivo explícito de “não deixar dormir”.
O registro mais antigo que aparece com clareza é de maio de 2001, quando torcedores do Botafogo de Ribeirão Preto fizeram barulho em frente ao hotel do Corinthians na véspera da final do Paulistão. Relatos retrospectivos empurram a prática para o fim dos anos 1990.
Em 2026, portanto, já são mais de 25 anos de um hábito que se tornou quase ritualístico em jogos decisivos.A lógica é simples e antiga: privar o adversário de descanso para que ele chegue ao estádio cansado, irritado ou com reflexos diminuídos.
Na prática, porém, os resultados quase nunca confirmam a teoria. Não existe um padrão consistente de times que “dormiram mal” perdendo por causa do foguetório. Em muitos relatos os jogadores acordam, reclamam, usam protetores de ouvido e voltam a dormir.
Em outros, a rotina do dia de jogo segue normalmente. O efeito psicológico parece recair mais sobre a própria torcida que solta os fogos, a sensação de estar “fazendo alguma coisa” e de pressionar o adversário, do que sobre o desempenho dentro de campo.
O caso mais recente ilustra bem o ponto.
