Debate eleitoral televisivo nunca foi um passeio. O confronto é parte da disputa democrática, mas precisa servir ao eleitor. No encontro da TV Bandeirantes, Flávio Bolsonaro e Lula fizeram o contrário. Transformaram a oportunidade de discutir o futuro do país em um espetáculo de provocações e acusações, mais próximo das marmeladas da luta livre de décadas passadas do que de um debate presidencial.
Decepcionante, vergonhoso, triste. Essas avaliações apareceram entre eleitores que participaram de pesquisas qualitativas durante o programa. Havia muita expectativa em torno do primeiro confronto de uma campanha na qual os dois principais contendores fugiram do debate de ideias e propostas como o diabo foge da cruz.
Se houve nocaute naquela noite, foi o dos eleitores, especialmente dos indecisos, que ligaram a televisão na expectativa de comparar propostas e decidir seu voto. Quem procurava uma razão para comparecer às urnas no próximo domingo encontrou um desfile de razões para rejeitar os dois.
A baixaria foi produto da estratégia adotada pelas campanhas. O marketing político transformou em dogma a ideia de que ganha a eleição quem conseguir tornar a rejeição do adversário maior do que a sua. Flávio e Lula seguiram esse figurino, principalmente na primeira parte, quando só faltaram chegar às vias de fato.
Essa estratégia explica por que não se deve votar no adversário, mas não explica por que o próprio candidato merece vencer.
