Até guardo segredos alheios. Quando me esqueço. Sou distraída suficiente para esquecer de um segredo. Se eu me lembrar, e dependendo da hora que me lembrar, conto até os meus. Mas, se o segredo vem com nome de sigilo, ainda que não seja perigoso ou cabeludo, fico esperta. E guardo. Até que o próprio dono do sigilo o revele.
Abrir sigilo é decisão pessoal. Quebrar sigilos é direito da polícia, quando tem indícios suficientes que ali tem coisas guardadas que podem revelar ou comprovar crimes.
Abrir ou quebrar sigilo bancário de nós - seres humanos normais, povo, peões na movimentação social - servirá pra pouca coisa. Talvez descobrir a ginástica financeira que fazemos. Uns, para tocar a vida com algum conforto. Outros, apenas com alguma dignidade. Aqui, a abertura do sigilo telefônico só revelaria um monte de fofocas, briguinhas familiares. Talvez traições amorosas.
No mundo ideal, cidadãos e cidadãs que concorrem a cargos eletivos - políticos - deveriam abrir seus sigilos bancários por obrigação de ofício. Candidatos a Presidente da República só poderiam registrar sua candidatura com sigilo bancário aberto. Valendo o mesmo para os pretendentes a prefeitos, governadores e ministros de Estado.
Olha que maravilha, votar com, ao menos, tendo o ladrão, o mais mentiroso já devidamente identificado?
Claro que, conhecendo essas espécies de humanos, podemos já suspeitar que arranjariam sempre um jeitinho de não deixar circular por contas bancárias todo seu manejo financeiro.
