A pandemia de Covid-19 desencadeou uma corrida entre pesquisadores do mundo inteiro pelo desenvolvimento de novos métodos para detectar o vírus Sars-CoV-2, causador da doença. O objetivo era criar soluções tão baratas e rápidas quanto os testes vendidos em farmácias, mas com a mesma sensibilidade do melhor exame laboratorial então disponível. Dezenas de dispositivos portáteis de baixo custo capazes de detectar o vírus em poucos minutos, mesmo em baixas concentrações, foram descritos em artigos científicos e divulgados à imprensa. A maioria, entretanto, não chegou ao mercado.
Transformar protótipos em produtos comerciais continua sendo o principal desafio dos pesquisadores que desenvolvem biossensores portáteis ou vestíveis. Além de identificar rapidamente infecções por vírus e bactérias, esses dispositivos prometem facilitar o diagnóstico e o acompanhamento de uma série de doenças, substituindo, em algumas aplicações, exames de sangue por análises rápidas de lágrimas, saliva ou suor. Também poderiam permitir diagnósticos mais precoces e tratamentos personalizados.
“Fazer a transferência do que funciona na bancada para o mundo real é, muitas vezes, um passo muito desafiador para os pesquisadores, mas sinto que a comunidade acadêmica está seguindo nessa direção”, avalia a física Laís Brazaca, do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP).
