O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza na agricultura, uma dependência que expõe o agronegócio aos conflitos internacionais, à volatilidade dos preços e a possíveis interrupções no abastecimento. No programa A Força do Agro, da Revista Oeste, a especialista em inteligência de mercado de fertilizantes Maísa Romanelo explicou como essa vulnerabilidade afeta os custos de produção e a segurança das safras brasileiras.
Segundo Maísa, a dependência resulta de fatores históricos, geológicos e da falta de incentivos à indústria nacional. Os fertilizantes representam de 20% a 30% dos custos de produção e fornecem nutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas.
Fertilizantes importados pressionam o custo da lavoura
A guerra no Oriente Médio evidenciou os riscos dessa dependência. O enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados, registrou forte valorização após restrições no fornecimento associadas ao conflito e às dificuldades de circulação pelo Estreito de Ormuz.
De acordo com Maísa, o encarecimento comprometeu a produção de fertilizantes fosfatados e levou empresas a reduzir ou interromper atividades. Embora o Brasil tenha reservas minerais, limitações na concentração de fósforo e a necessidade de importar matérias-primas dificultam a produção nacional de determinados produtos.
A diversificação de fornecedores ganhou força depois da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.
