O texto a seguir foi publicado originalmente no Jornal da USP.
Há 26 anos, pesquisadores da USP descobriram que a melatonina pode influenciar o desenvolvimento e a sincronização do parasita da malária humana com o hospedeiro em culturas de células. Recentemente, o mesmo grupo, junto com cientistas da Université Paris Cité, na França, identificou por qual receptor o Plasmodium falciparum - causador da forma mais grave da doença - detecta esse hormônio: o MT-PfSR1. Os resultados abrem caminhos para o desenvolvimento de novos medicamentos contra a malária.
“Atualmente, o grande desafio para combater a malária é justamente o surgimento de parasitas resistentes aos antimaláricos disponíveis”, afirma Bárbara Dias, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), ambas da USP, e autora da pesquisa.
A melatonina é um hormônio produzido pela glândula pineal, localizada no cérebro. Ela é liberada no início da noite, mas seu pico de produção ocorre algumas horas depois e ajuda a promover o início do sono. Em mamíferos, a melatonina atua por meio de receptores acoplados à proteína G (GPCRs), complexos presentes na membrana celular que transmitem sinais de hormônios e neurotransmissores para o interior das células.
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