O dono de uma lanchonete não precisa conhecer o setor elétrico para entender sua importância: a conta chega, sobe e precisa ser paga. Em vinte anos, a “conta de luz” acumulou alta acima de 400%. O IPCA avançou por volta de 200%. Para famílias e indústrias, energia cara virou um imposto regressivo, silencioso e permanente.
O Brasil talvez seja o único país capaz de ser simultaneamente um Electrostate, como a China, baseado em eletrificação e renováveis baratas, e um Petrostate, como os Estados Unidos, com petróleo competitivo e vastas reservas de gás.
Mas políticas ruins, má gestão regulatória e falta de ousadia transformaram abundância em custo. Competição e busca pelo menor preço cederam espaço a subsídios, interesses corporativos e escolhas políticas. Tarifas sobem, empresas quebram, fabricantes de equipamentos saem e investidores se afastam diante de arbitrariedades e contratos descumpridos.
No maior leilão de energia da história, o governo contratou 19 GW térmicos por mais de R$ 2 milhões por MW, embora baterias pudessem prestar o mesmo serviço por cerca de 40% menos. A escolha ocorreu quando o custo das turbinas a gás (importadas) quase triplicou desde 2023, com a corrida global por IA. O prejuízo estimado ao consumidor é de R$ 0,5 trilhão em valor presente.
Quem tem painel solar continua usando a rede, mas transfere custos aos mais de 80 milhões de consumidores sem painel.
