Escalado para falar com quem resiste ao presidente, o vice Geraldo Alckmin (PSB) virou, na reta final do 2º turno, o cabo eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fora do eixo dos grandes atos. Ganhou agenda própria e passou a percorrer o país, sobretudo o interior de São Paulo, onde a campanha petista enfrenta mais resistência.
O formato difere do de Lula. O presidente concentra grandes atos no Nordeste e no Sudeste. Geralmente fala com quem já vota nele. O vice circula por reuniões com prefeitos, encontros com empresários e religiosos e plenárias menores. Sem a liturgia de candidato à Presidência, Alckmin consegue reduzir a distância entre o palanque e o público, com encontros mais próximos e conversas diretas com lideranças locais e diferentes grupos sociais.
A mudança é política. Aliados avaliam que o vice, que ficou escondido no 1º turno, pode atrair o eleitorado de centro e paulista, em um Estado que governou 4 vezes. Ele foi adversário de Lula na eleição de 2006. Perdeu o 2º turno com 39% dos votos.
Com trânsito entre prefeitos e lideranças de centro e centro-direita, a estratégia retoma a lógica que levou o ex-tucano a compor a chapa em 2022: formar uma frente ampla contra o “bolsonarismo”. A estratégia é repetida na disputa deste ano, agora contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), e inclui ser interlocutor de diferentes grupos religiosos.
Também há um componente de governo.
