Nenhuma emissora de televisão ou de rádio do mundo pode impedir um candidato de mentir durante uma entrevista ou debate. Mas há instrumentos capazes de detectar, em tempo real, quando ele mente, distorce ou manipula fatos. E isso pode e deve ser levado, de imediato, ao conhecimento do distinto público. Acontece, por exemplo, nos Estados Unidos. E por que não aqui?
Flávio Bolsonaro, no debate da BAND do último domingo, mentiu à bandeira desfraldada, ou seja: às claras, sem nenhum constrangimento, sem o menor pudor. O Evereste que ele escalou foi quando prometeu que, no seu governo, o SUS terá o mesmo padrão do Einstein, o hospital paulista de dez entre dez dos mais afortunados brasileiros, só acessível aos planos de saúde mais caros.
Impossível, pois. Tanto mais para quem acena com um corte impensável de despesas da ordem de 200 bilhões de reais. Flávio diz que o ajuste fiscal será alcançado com a redução de pelo menos 10 ministérios, combate à corrupção e maior eficiência na máquina pública. E nega que vá reduzir benefícios sociais ou direitos de aposentados. Balela. Simplesmente a conta não fecha.
Estamos, portanto, caso ele derrote Lula no próximo domingo, às vésperas de mais um estelionato eleitoral. O país já assistiu a muitos. Na eleição de 1989, a primeira pelo voto direto depois do fim da ditadura militar, Fernando Collor disse que Lula, se eleito, congelaria a poupança das pessoas. O eleito foi Collor.
