Aos 21 anos, Carolina Lopes utilizava anticoncepcional hormonal combinado há três anos para tratar a síndrome dos ovários policísticos (SOP) e nunca havia apresentado efeitos colaterais. Mas, em maio deste ano, uma falta de ar contínua ao menor esforço a levou ao hospital, onde recebeu o diagnóstico de embolia pulmonar decorrente de uma trombose venosa profunda extensa.
Diferente do quadro clássico da trombose venosa profunda, que costuma apresentar dor, vermelhidão e inchaço visível nas pernas, Carolina não teve nenhum sintoma localizado nos membros inferiores. O único sinal foi a dificuldade respiratória.
O coágulo formado nas veias profundas se desprendeu e viajou pela circulação até os pulmões, caracterizando o tromboembolismo pulmonar. A ausência de sinais na perna pode ocorrer por diferentes razões anatômicas.
“A intensidade dos sintomas nem sempre corresponde à extensão do trombo, e a ausência de sintomas não exclui o diagnóstico”, explica a médica Joyce Annichino, coordenadora do Centro de Doenças Tromboembólicas do Hemocentro da Unicamp e presidente da Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH).
A médica afirma que, quando há circulação colateral relevante na perna com trombose, o sangue pode retornar para o coração, não causando os sintomas usuais. Além disso, uma trombose que não obstrui totalmente o vaso sanguíneo também pode ser assintomática.
