A detenção da influenciadora trans brasileira Malévola Alves no Egito chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas por pessoas trans no país. A legislação egípcia não oferece um caminho claro e acessível para o reconhecimento legal da identidade de gênero, e autoridades recorrem a leis relacionadas à moralidade pública para perseguir pessoas LGBTQIA+.
Malévola foi detida nesta terça-feira (20/10), em Alexandria, junto com uma amiga. O Ministério do Interior egípcio confirmou a detenção das duas após a circulação de vídeos gravados nas ruas da cidade. Segundo as autoridades, elas fizeram gestos e insinuações sexuais e assediaram pedestres.
O caso ocorre em um país onde pessoas trans enfrentam obstáculos para alterar o gênero nos documentos oficiais e podem ser alvo de abordagens policiais motivadas por sua identidade ou expressão de gênero.
Leis de moralidade são usadas contra pessoas LGBTQIA+
Até 2024, uma brecha na legislação egípcia permitia que pessoas trans alterassem o gênero nos documentos oficiais, embora o procedimento exigisse cirurgia de redesignação sexual. Uma nova diretriz restringiu esse reconhecimento a pessoas intersexo, que nascem com características sexuais que não se enquadram nas definições típicas de masculino ou feminino. No Egito, a intersexualidade é considerada uma doença.
