Os levantamentos feitos pela Polícia Federal (PF) acerca do esquema de cobrança de propina na região de fronteira entre o Brasil e a Guiana revelaram uma estrutura organizada, com divisão de funções e tarefas, operada por servidores públicos e particulares.
A coluna apurou que os elementos informativos catalogados ao longo da investigação, com base sobretudo na quebra de sigilo telemático, apontam que o grupo atuava de forma coordenada para obter vantagens ilícitas por meio do uso da atividade de fiscalização aduaneira no posto da Receita Federal em Bonfim (RR).
O papel de cada um
Oberdan Santana, servidor da Receita, exercia papel central na dinâmica. De acordo com a PF, ele usava o cargo para abordar pessoas suspeitas de cometer crimes de descaminho ou contrabando de mercadorias vindas da Guiana e exigia dinheiro para deixar de fiscalizar as mercadorias ou permitir a entrada irregular delas em território nacional.
Relatos obtidos pela polícia indicam que Oberdan definia os valores exigidos, enviava as chaves Pix para o recebimento das quantias, monitorava a chegada dos ônibus ao posto fiscal, encaminhava vídeos e fotografias das cargas aos comerciantes e determinava a forma de pagamento da propina.
Já Juan Santiago Medina Paino exercia a função de ligação entre os comerciantes envolvidos no contrabando de mercadorias e os servidores públicos investigados, atuando como intermediário nas tratativas ilícitas.
