O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma tentativa de colaboração premiada, que intermediários recebiam comissões de 10% sobre operações que direcionavam recursos de fundos previdenciários estaduais e municipais para letras financeiras do Banco Master.
Considerando os R$ 1,88 bilhão investidos por 21 regimes próprios de previdência entre 2023 e 2024, os pagamentos poderiam ter alcançado R$ 188 milhões, caso o porcentual relatado pelo ex-banqueiro se confirme.
Segundo Vorcaro, os intermediários incluíam agentes do mercado financeiro e políticos. Parte dos pagamentos teria sido feita em espécie. As informações constam de relatos atribuídos ao ex-controlador do Master no contexto das negociações para um acordo de delação premiada.
Os recursos envolvidos pertencem a regimes próprios de previdência social (RPPS), entidades responsáveis por administrar as contribuições dos servidores públicos efetivos e dos governos destinadas ao pagamento de aposentadorias e pensões.
De acordo com informações do Ministério da Previdência, 21 regimes previdenciários de Estados e municípios aplicaram R$ 1,88 bilhão em letras financeiras do Master no período. Caso a comissão de 10% mencionada por Vorcaro corresponda ao total dessas operações, os intermediários teriam recebido pelo menos R$ 188 milhões.
A aplicação desses recursos levanta preocupações sobre o impacto da crise do banco nas contas previdenciárias.
