Enquanto André Janones encarrega-se de espalhar fake news com o seu Exército do Lula no WhatsApp, a imprensa, com as exceções de hábito, faz a sua parte na campanha anti-Flávio Bolsonaro.
Com o objetivo de afastar os indecisos da escolha pelo candidato da direita, repórteres se dedicam a registrar episódios de violência física, racismo, misoginia e o que mais possa existir de ruim para apontar condutas individuais como padrões do comportamento de eleitores do oponente do chefão petista.
Eles são os “bolsonaristas”, essa horda que veio para destruir todos os valores humanos, todas as conquistas sociais, todos as iniciativas culturais.
É a estratégia da transformação do que é parte no seu todo. A direita também faz isso em relação à esquerda, mas não conta com uma imprensa tão vasta e articulada.
Desumanizar o adversário ou apenas aquele que é diferente de você, seja na aparência, nos costumes ou no pensamento, é prática antiga, como explicou o escritor e pensador italiano Umberto Eco, em conferência na Universidade de Bolonha, lá se vão dezoito anos.
A conferência virou um livrinho, A Fábrica do Inimigo, cuja edição francesa foi garimpada por mim em uma das minhas livrarias preferidas, a Compagnie, praticamente em frente à Sorbonne, uma das fábricas de inimigos mais produtivas da esquerda parisiense.
Umberto Eco parte da premissa histórica, sociológica, de que é inevitável ter um inimigo.
