Os debates eleitorais continuam sendo um dos instrumentos mais importantes para a formação da vontade do eleitor. Em uma democracia, escolher um candidato não deveria ser apenas um ato de identificação ideológica ou de rejeição ao adversário, mas também uma decisão baseada na capacidade de apresentar propostas, defender ideias e responder por suas escolhas. O confronto público permite comparar trajetórias, avaliar argumentos e, sobretudo, identificar contradições que a propaganda eleitoral e a comunicação cuidadosamente controlada das campanhas nem sempre revelam. Por isso, mesmo em tempos de polarização, os debates permanecem necessários.
O debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, realizado no último domingo, foi, sob muitos aspectos, lamentável. Em vez de um confronto de ideias à altura dos desafios brasileiros, prevaleceram acusações, provocações e tentativas de desqualificação recíproca. O espetáculo oferecido ao eleitor esteve muito aquém do que se espera de candidatos que pretendem conduzir os destinos do país. Seria um erro, contudo, concluir que episódios como esse demonstram a inutilidade dos debates. Ao contrário: a pobreza do confronto revela o quanto precisamos recuperar esse espaço de discussão pública, no qual os candidatos deveriam estar sujeitos ao escrutínio dos cidadãos.
Há, inclusive, uma dimensão particularmente frustrante nesse episódio.
