Quando inundações, secas severas ou tempestades atingem o Brasil, grande parte da população se vê desamparada: pelo menos 30% dos municípios do país não têm qualquer plano de contingência para enfrentar esses desastres. Além disso, 37% não dispõem de um sistema próprio de alerta para esse tipo de ocorrência. Somadas à escassez de recursos humanos e orçamentários, essas falhas expõem as dificuldades das cidades brasileiras em estruturar sistemas de prevenção, aponta pesquisa publicada na revista Disaster Risk Science.
Em meio aos alertas de especialistas feitos nos últimos meses em relação ao El Niño, outro dado que chama a atenção é que menos de 8% dos municípios têm planos de contingência para ondas de calor. As projeções recentes para o El Niño 2026-2027 indicam que o aumento da temperatura do oceano Pacífico deve ultrapassar 3 °C no período de pico, recorde registrado em 2015. Os reflexos no clima do Brasil podem ir de chuvas intensas na região Sul a secas extremas no Norte e no Nordeste, com altas temperaturas em vários estados.
“Os municípios precisam ter capacidade para implementar seus próprios sistemas de alerta usando as informações já disponíveis. São as administrações locais que sabem o que está acontecendo, conhecem os problemas dos bairros e deveriam ter contato com a população. Às vezes, as pessoas recebem um alerta emitido pelo estado para procurar um lugar seguro e não sabem qual é.
3 em cada 10 cidades brasileiras não têm plano de contingência contra desastres climáticos
