Belo Horizonte, Uma rede de clínicas clandestinas de Montes Claros, no Norte de Minas, mantinha 15 pessoas em cárcere privado, entre elas nove adolescentes à época dos fatos e quatro mulheres com transtornos mentais. As vítimas ficavam trancadas, sem documentos e sem telefone, e só podiam falar com a família uma vez por semana, sob vigilância.
De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), os casos ocorreram entre 2023 e 2026. Nesse período, as vítimas eram submetidas ao uso de medicamentos sem prescrição médica, amarradas às camas com faixas de contenção e vítimas de agressões e trabalho forçado.
Segundo a denúncia, o proprietário também se aproveitava da autoridade que exercia sobre as internas para cometer abusos sexuais. Adolescentes eram levadas a motéis, sob a promessa de que seriam liberadas antecipadamente.
Diante disso, o MPMG denunciou sete pessoas ligadas à Clínica Assistencial Fortalecer e ao Instituto Feminino Fortalecer.
Elas são acusadas de crimes como organização criminosa, cárcere privado, tortura, estupro, importunação sexual e coação no curso do processo. A informação foi divulgada pelo órgão nessa segunda-feira (19/10).
Entre os denunciados estão o proprietário das unidades, apontado como líder do grupo, três coordenadoras, uma técnica em enfermagem, um psicólogo e um responsável pela vigilância dos internos.
”Encontrá-la até no inferno”
Os fatos começaram a ser investigados em 2024. As vítimas sofriam ameaças, inclusive de morte.
