Os protestos na França têm gerado um cenário político complexo, no qual o eleitorado poderá se dividir entre uma agenda de transformações sociais e econômicas ou uma pauta focada na anti-imigração. A avaliação é de Carolina Pavese, professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá, em entrevista ao WW.
Segundo Pavese, ainda é cedo para traduzir diretamente o resultado dos protestos em uma manifestação nas urnas nos próximos seis meses. “Há causas estruturais, causas sociais de raízes que a agenda da extrema esquerda tende a contemplar um pouco mais na sua pauta, inclusive na sua pauta de campanha”, afirmou.
Extrema direita e extrema esquerda disputam narrativa dos protestos
Pavese destacou que a crítica ao Estado neoliberal e à globalização excludente é uma agenda abraçada pela extrema esquerda, representada por Jean-Luc Mélenchon, e que parte dos protestos está motivada justamente por esse sentimento.
Por outro lado, a especialista alertou que uma minoria de manifestantes, os chamados “casseurs”, saqueadores que causaram danos significativos, acaba alimentando uma narrativa favorável a uma agenda de segurança mais rígida e de maior controle estatal.
Nesse contexto, Pavese observou que Marine Le Pen passou a acusar os imigrantes, “sem nenhum fundamento para essa sua fala”, utilizando os episódios de saques para reforçar uma agenda xenófoba da extrema direita.
