O Brasil chegou a um ponto decisivo de sua transição energética. Enquanto as fontes eólica e solar avançaram rapidamente, o sistema elétrico passou a enfrentar um problema que revela os limites da infraestrutura atual: há momentos em que o País dispõe de energia limpa, mas não consegue aproveitá-la integralmente.
O chamado “curtailment”, a redução ou interrupção da geração de usinas que poderiam produzir energia, mas não conseguem injetá-la integralmente no sistema por restrições operativas, entra nesta conjuntura.
A publicação da Portaria Normativa MME nº 140/2026 foi um passo importante. A medida regulamentou a compensação por determinados cortes ocorridos entre setembro de 2023 e novembro de 2025. Na etapa de manifestação de interesse, 1.539 usinas eólicas e solares, somando cerca de 53 GW, aderiram ao processo, representando aproximadamente 91% da capacidade instalada de referência considerada para o mecanismo.
É uma resposta necessária para um passivo acumulado nos últimos anos, mas não encerra a discussão, pois o curtailment continua ocorrendo, e o desafio agora é construir uma solução para o futuro.
Para além do excesso de energia limpa
O problema debatido não é o Brasil ter energia renovável demais: o que existe é uma dificuldade de compatibilizar, em determinadas horas, a oferta de energia com a capacidade de transmissão, consumo, armazenamento e operação do sistema.
A geração solar concentra grande parte de sua produção durante o dia.
