Em 1958, a expansão da malha ferroviária chinesa encarou um desafio árido: atravessar as dunas do deserto sem que a areia danificasse ou enterrasse os trilhos.
A previsão era que, ao posicionar a malha no local desejado, ela ficaria completamente submersa em até 30 anos. Durante a implementação, foi necessário suspender as obras 11 vezes por conta das tempestades de areia.
A solução encontrada não apenas permitiu que a ferrovia operasse até hoje, mas também transformou a agricultura em climas desérticos. Ao redor dos trilhos, o verde já começou a tomar conta.
O problema não era a areia
À televisão estatal China Global Television Network, o então diretor da estação de pesquisa Shapotou Desert Research and Experiment Zhang Zhishan resumiu o desafio: “Para garantir o sucesso da ferrovia, o deserto precisaria ser domado”.
O primeiro passo para superar o obstáculo foi entender que o “inimigo” não era necessariamente a areia; e sim, o vento que a transportava até os trilhos. Se fosse possível barrar as correntes de vento que sopravam logo acima das dunas, seria o fim do problema.
Um centro de pesquisa aberto poucos anos antes da expansão da ferrovia foi quem assumiu a responsabilidade por solucionar o problema. O Instituto de Pesquisa do Deserto de Shapotou, ligado à Academia Chinesa de Ciências, estudou diversas formas já existentes de controlar o deserto. A mais efetiva já estava sendo usada por pequenos fazendeiros chineses na região de Zhongwei.
