Por Marlon Reguelin*
O Brasil é um continente. Há muito mais entre o Chuí e o Oiapoque do que apenas milhares de quilômetros. São povos, culturas, sotaques e realidades muito distintas, para bem e para mal. Qualquer tentativa de homogeneizar a diversidade tupiniquim, não apenas cultural, mas principalmente social, é um tremendo equívoco, quando não deliberada má intenção. Há um Brasil que aparece nos jornais e há um Brasil que aparece nos gráficos. Nem sempre são o mesmo país.
Enquanto Brasília discute o tamanho do rombo fiscal, crise no STF, paralisia dos investimentos e a temperatura de uma polarização que já dura mais de década, um Estado da Federação vem, silenciosamente, colecionando recordes. Não é surpresa que pouca gente fale dele: fica ao sul do eixo Rio-São Paulo, e a gente sabe que boa parte da grande imprensa nacional tem dificuldade de enxergar o país além da Avenida Paulista. Mesmo assim, os números do Paraná merecem ser vistos, sobretudo por quem defende que existe alternativa ao modelo de país que estamos vivendo.
O Paraná é hoje a quarta maior economia do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e à frente do Rio Grande do Sul, que por décadas disputou essa posição.
Estar em quarto lugar não é a notícia mais interessante; a trajetória, sim. No segundo trimestre de 2026, o Estado bateu a menor taxa de desemprego de sua história, 3,1%, quase a metade da média nacional, que ficou em 5,4%.
