“Se tem celular dentro da cadeia, tem algum problema.” A afirmação é de André Garcia, titular da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), ao reconhecer que falhas de segurança e até a corrupção de funcionários permitem a entrada de celulares, drogas e outros materiais proibidos nos presídios brasileiros.
“Ou tem falha de segurança, ou tem falha de protocolo, ou tem facilitação. Não tem outra resposta”, afirmou o secretário, em entrevista exclusiva à coluna.
Para impedir que presídios continuem funcionando como verdadeiros “escritórios do crime”, de onde lideranças de facções comandam delitos nas ruas, o governo federal passou a utilizar tecnologia capaz de identificar e bloquear celulares clandestinos em até 30 minutos.
A principal aposta são equipamentos transportados em mochilas táticas, que identificam aparelhos conectados às redes de telefonia móvel e permitem solicitar à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o bloqueio dos dispositivos.
“A gente identifica, faz um relatório, encaminha para a Anatel, a Anatel manda para a operadora, 20 minutos, 30 minutos, tá bloqueado”, explicou Garcia.
Bloqueio sem apreensão
A estratégia integra a Operação Modo Avião, destinada a identificar aparelhos clandestinos. Na sequência, policiais penais realizam varreduras por meio da Operação Mute, para tentar apreendê-los.
Mesmo quando os celulares permanecem escondidos, o bloqueio impede sua utilização nas redes móveis.
