Lula tem razão: para quem já debateu ideias com quatro presidentes americanos (George W. Bush, Bill Clinton, Barack Obama e Donald Trump), dois presidentes chineses, dois presidentes russos, três presidentes franceses e com todos os primeiros-ministros alemães, deve ser altamente constrangedor tentar debater os problemas do Brasil com um notório miliciano como Flávio Bolsonaro, investigado pela Polícia Federal por corrupção ativa e passiva, evasiva de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
De resto, a levar-se em conta o que se viu no primeiro encontro dos dois, Flávio não queria debater coisa alguma. Primeiro, porque lhe faltam ideias próprias e consistentes para jogar na mesa, a não ser as que seus assessores lhe sopram para exposições rápidas de cima de um palanque e gravações de propaganda eleitoral; segundo, porque ele prefere dançar nos palcos e atacar com xingamentos seus eventuais oponentes. Um debate se alimenta de perguntas e respostas. Flávio ignorou todas as perguntas feitas por Lula.
