O consumo diário e frequente de café provoca uma adaptação no cérebro que reduz progressivamente seu efeito estimulante no organismo. O composto atua bloqueando os receptores de adenosina, substância produzida naturalmente pelo corpo que se acumula ao longo do dia, sinalizando a necessidade de descanso. Ao ocupar esses receptores, a bebida previne a sensação de cansaço.
Porém, diante da exposição constante, o sistema nervoso central reage aumentando a quantidade desses receptores para compensar o bloqueio contínuo, mecanismo que gera a chamada tolerância.
Como consequência, a mesma quantidade de cafeína passa a produzir um impacto menor na disposição, levando muitas pessoas a aumentar a dose para obter o alerta desejado.
“O cérebro se adapta e a pessoa precisa de quantidades maiores para perceber o mesmo nível de alerta. Além disso, quem consome café diariamente passa a perceber a bebida menos como um estímulo extra e mais como uma forma de aliviar o cansaço ou a sonolência que aparecem quando o efeito diminui”, explica a nutricionista Giovanna Barreiro, do Hospital Brasília.
Reversão da tolerância requer pausa e redução gradual
Para recuperar a sensibilidade do cérebro sem sofrer com os efeitos colaterais da interrupção súbita, especialistas recomendam o protocolo de “pausa estratégica”.
