Antonio Egídio Nardi é presidente da Academia Nacional de Medicina, professor titular da Faculdade de Medicina da UFRJ e cientista do Nosso Estado da Faperj, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por pesquisadores. Vale a visita.
As eleições constituem um dos momentos mais importantes da vida democrática. Entretanto, quando a disputa eleitoral se transforma em um confronto marcado por intensa polarização, hostilidade, desconfiança institucional e incerteza quanto ao futuro, seus efeitos podem ultrapassar o campo político e alcançar diretamente a saúde mental da população.
A expectativa de uma vitória ou derrota eleitoral, particularmente quando os indivíduos atribuem ao resultado consequências decisivas para suas condições de vida, pode desencadear manifestações significativas de ansiedade antecipatória, alterações do humor, apatia e, em indivíduos vulneráveis, ataques de pânico.
Ansiedade antecipatória
A ansiedade antecipatória caracteriza-se por um estado persistente de apreensão diante de acontecimentos futuros percebidos como ameaçadores ou imprevisíveis.
Em eleições extremamente disputadas, essa antecipação pode adquirir características de hipervigilância. Além disso, pode gerar preocupação constante em relação às pesquisas eleitorais, aos debates, às notícias e às possíveis consequências do resultado das urnas.
