A China respondeu por pouco mais de 29% do comércio brasileiro nos oito primeiros meses de 2026, ante 11,5% dos Estados Unidos, consolidando sua posição como principal parceiro comercial do Brasil. No período, as importações brasileiras de produtos chineses somaram US$ 52,3 bilhões, quase o dobro dos US$ 27,3 bilhões em mercadorias compradas dos norte-americanos.
A diferença reflete a escala industrial chinesa, os investimentos em tecnologia e infraestrutura e a capacidade de oferecer produtos de maior valor agregado a preços competitivos.
Para Márcio Sette Fortes, ex-diretor do Brasil no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a competitividade da China resulta de uma combinação de fatores, com destaque para a escala de produção. O avanço chinês também está relacionado à mudança no perfil de suas exportações, que deixaram de se concentrar em mercadorias de baixo custo para incorporar produtos tecnologicamente sofisticados.
“A China superou a fase das quinquilharias e exporta, atualmente, um perfil de produto de maior valor agregado e com qualidade superior”, afirma Fortes. Segundo ele, a escala produtiva garante preços mais baixos e amplia a capacidade de competição das empresas chinesas nos mercados internacionais.
Felipe Teixeira, presidente da Ningbo BR Goods, que vive há 12 anos na cidade chinesa de Ningbo, avalia que a posição alcançada pelo país é resultado de um processo de transformação industrial iniciado há décadas.
