Há um ditado popular que diz: “o papel aceita tudo”. Mas se fizermos um exercício para além das palavras, logo vamos notar que a tabela de excel também é capaz de tudo incorporar. Números, dados, tabelas e séries históricas são todas informações bem-vindas, claro. Nos ajudam a analisar históricos e recorrências, desenhar projetos, equacionar demandas e calcular investimentos no curto e médio prazo.
No entanto, em meio a esse emaranhado de dados e simulações, há um ponto de atenção. Explico. É quando essa montanha de informações se desconecta do cotidiano das pessoas e dos territórios ocupados. Do anseio da sociedade civil. E produz tomadas de decisões dissociadas desses sentimentos, daí, temos um problema. Um problemão.
Quer um exemplo? O manejo de águas pluviais no Brasil.
Neste século XXI de Inteligência Artificial, de algoritmos, de biociência, já não deveríamos mais dimensionar o saneamento e o manejo de águas pluviais apenas com base em tabelas e séries históricas passadas. Não deveríamos. Mas continuamos fazendo regularmente.
Por que não deveríamos? Porque vivemos a era da imprevisibilidade climática. E ela nos exige respostas novas, corajosas e verdadeiramente resilientes.
O modelo tradicional das “soluções cinza”, focado em aprisionar, acelerar e puramente transportar a água de um canto a outro da cidade, mostrou ser não apenas insuficiente, mas muitas vezes prejudicial à sociedade e aos territórios.
