Olhos de insetos, polvos e vertebrados (mamíferos, aves, répteis, peixes, anfíbios) fazem a mesma coisa - captar luz e formar imagens -, mas são construídos de jeitos diferentes. Os nossos se formam no embrião como uma extensão dos tecidos do cérebro. Os de moscas e polvos, por outro lado, se formam a partir da pele da cabeça. Por quê?
Uma nova pesquisa (1) propõe a seguinte hipótese: há cerca de 600 milhões de anos, um ancestral dos vertebrados - um animalzinho parecido com um verme - passou a viver parado, filtrando comida da água. Sem precisar enxergar muito, perdeu o par de olhos que tinha, que eram “de polvo”. Sobrou só um detector simples no alto da cabeça, capaz de diferenciar dia e noite ou em cima e embaixo (embaixo, evidentemente, é onde há menos luz).
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Quando os descendentes desse verme voltaram a nadar ativamente, a visão voltou a ser importante, e esse detector central, que era uma extensão do sistema nervoso, se ramificou para dar origem a um novo par de olhos - olhos como os nossos, que se ramificam do cérebro em vez de nascerem como estruturas cutâneas. Por sua vez, o nódulo lá no meio deu origem à glândula pineal. Ela produz melatonina, justamente a molécula responsável por avisar nosso corpo de que é noite (e hora de descansar).
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Fonte 1. “Evolution of the vertebrate retina by repurposing of a composite ancestral median eye”, Current Biology.
